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SAÚDE DO CORAÇÃO
DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA
06-02-2018 20:02:13
Insalubridade básica – Nossa crônica Insalubridade Básica

O que fazer com nossos excrementos e secreções orgânicas? Nosso cocô, nosso xixi podem ser fontes de energia (elétrica, biogás) e até, acreditem, de proteínas. Bastam para tanto ter tecnologia e profissionais habilitados. Como é feito na Inglaterra e nos Estados Unidos.

Eu me inspirei para escrever este texto quando estava, agorinha há pouco, bem confortável, em meu WC. Para as gerações mais jovens eu traduzo: WC é a sigla para water closet, um anglicismo, entre milhares, que se incrustaram em nosso idioma. O nosso banheiro ou sanitário em Portugal é chamado casa de banho; na Grã-Bretanha recebe o simpático apelido de water closet (WC).

No caso aqui em discussão o banheiro entrou como um mote. Trago à baila a grave e muitas vezes esquecida questão de saneamento. Quando se fala em saúde pública ele é tão significativo que recebe o adjetivo básico.

E básico, como sugere o termo, porque deveria ser prioritário, fundamental e preocupação primeira de cada governante, de todas as esferas político-administrativas desse País. Ou seja, de prefeitos, governadores e presidente da República. Não é?

Vamos pegar como piloto, em tão sensível questão, a cidade do Rio de Janeiro. Afinal, ela é nossa capital turística, visitada por turistas e delegações do mundo inteiro. Ali tivemos a Copa de futebol FIFA 2014 e as Olimpíadas 2016. Foram bilhões de investimentos em marketing, estradas, estádios, arenas de esportes, ginásios, Vila Olímpica, entre outras obras de infraestrutura. Os investimentos em saneamento básico foram pífios ou mínimos. Enormes foram as verbas para a corrupção.

O descaso é brutal. Tanto assim que as paisagens de insalubridade, lixos e esgotos, a céu aberto, continuam as mesmas de antes desses referidos eventos. Ficam a impressão e o visual de que nada foi modificado no que concerne aos crônicos e anacrônicos problemas com os excrementos e resíduos produzidos pelas pessoas.

Calcula-se que ali na capital fluminense sejam lançados, a cada dia, nos rios, mananciais e no mar cerca de 5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento. Ou seja, têm-se com isto um cenário de absoluta degradação sanitária.

Não se trata apenas de um impacto negativo na saúde humana. Dentre as doenças dessa putrefação podem-se destacar as hepatites, disenterias, parasitoses, viroses e muitas outras infestações e intoxicações advindas de lixo doméstico e industrial.

A par dos danos à saúde humana, há uma degradação ambiental, com acometimento da flora e fauna e deterioração da paisagem natural. Quanta feiura e mal-estar aos sentidos causa um ambiente pútrido e insalubre. É o completo adoecimento da natureza, dos rios e mares, das florestas e atmosfera.

Não bastasse vivermos tempos medonhos na política nacional, temos que assistir aos horrores que têm sido as políticas com o saneamento da natureza, com todas as fontes naturais de recursos que a terra nos proporciona. E desses, a água, como recurso minera, ela tem sido a mais maltratada e degradada. É sabido que o Brasil é o País mais rico em aquíferos de água doce. E que triste ironia! Somos a Nação que mais desperdiça, que mais contamina e mais doenças produz com águas poluídas.

A cidade do Rio de Janeiro serve como modelo, triste exemplo do que ocorre Brasil afora. Certamente com alguns exemplos mais melancólicos. A região Norte é a mais abundante em água doce. As estatísticas recentes do IBGE revelam que a falta de água potável e tratamento de esgoto chega a quase 80% em regiões do interior. As capitais Manaus-AM e Belém-PA padecem da mesma degradação ambiental do Rio de Janeiro. Paralela a essa grave questão de saneamento básico existe uma igualmente grave, a saúde pública das doenças endêmicas. Dentre essas pode-se destacar a malária, que tem em seu ciclo o mosquito vetor anofeles, cujo roteiro reprodutivo depende do clima (tropical) e da água.

Em conclusão o que se pode afirmar é que saúde humana e saneamento ambiental (básico por objetivo e finalidade) constituem marcadores e preditores civilizatórios. Tal assertiva e proposta têm validade tanto no âmbito individual como coletivo. Tais índices se mostram reveladores de nosso desenvolvimento social, educacional, ético, e de respeito, tanto na esfera privada ou pública.

Uma pessoa, uma cidade, uma Nação, uma sociedade são mais civilizadas, ou menos, na exata proporção de sua condição de higiene de saúde pessoal e nos cuidados e saneamento do ambiente e espaços à sua volta.

Tais iniciativas cabem a cada um, em sua casa, no trabalho, na natureza, nos ambientes públicos, nas escolas; não só os governantes têm responsabilidade.

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA é especialista em Medicina Interna e Cardiologia, Assistente do Serviço de Cardiologia e Risco Cirúrgico no Hospital das Clinicas - Faculdade de Medicina / Universidade Federal de Goiás (UFG) - Goiânia-GO; membro Sociedade Brasileira de Cardiologia; e, estudante de Filosofia. Contatos: joaomedicina.ufg@gmail.com. Acesse: www.jjoaquim.blogspot.com.br

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