Jornal Cidade - Uruaçu-GO
COLUNAS
AGENDA POLÍTICA
SOCIAL
RELIGIÃO
SABOR DA LEITURA
SAÚDE DO CORAÇÃO
ESPAÇO ESPÍRITA
ESPECIAIS
IMAGEM...
ACONTECIMENTOS
ESTREVISTAS
ARTIGOS
URUAÇU - HISTÓRIA
SERVIÇOS
FALE CONOSCO
SEJA ASSINANTE
SEJA ANUNCIANTE
INFORMES
EVENTOS
NOSSO JORNAL
EXPEDIENTE
WEBMAIL

 

 

 
SAÚDE DO CORAÇÃO
DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA
01-02-2018 14:02:58
A felicidade impossível sem trabalho e sem esforço

Desde sempre, na mente humana, houve projetos, desejos e sonhos que se tornaram a ordem do dia. Os termos podem variar, mas no final com o mesmo significado. Se fossem designados em uma palavra, esta palavra seria a felicidade. Tanto que ela passou a ser uma expressão do bem extremo que queremos a quem tanto amamos e temos em nossa mais alta estima.

E tem plena razão todos que buscam esse estado físico e de alma. A felicidade é um fim em si mesma, é o objetivo último e máximo do gênero humano em sua existência. Ninguém em sã e lúcida consciência, em higidez mental e psíquica vai querer um mínimo de sofrimento ou dor que seja. Se assim o faz é porque padece de algum distúrbio de saúde mental, dano patológico, e portanto, precisa de algum ajuste terapêutico no campo psíquico, psicanalítico ou até medicamentoso.

Ser feliz. Este tem sido o desiderato de todos em sua humana lida. Mas seria tal estado orgânico e de alma possível? Para aqueles adeptos do determinismo, do existencialismo, tal projeto e desejo seriam inatingíveis. Todos estão predestinados a algum sofrimento, diriam os deterministas e existencialistas. Mas, eu rebato essa tese, e temos que, sim, buscar os caminhos da felicidade.

A vida se faz, se principia, se brota, se vem à luz do mundo entremeada já com um pouco de dor, choro e início de sofrimento. Disso ninguém discorda. Tomemos a vida humana a partir da fase fetal. Esse feto, ainda que em plena higidez física, nos primórdios de sua interação com a mãe e com o meio externo receberá e sentirá os estímulos nocivos e estressores, tanto exteriores quanto aqueles sofridos pela mãe.

O ventre, o útero e placenta não são garantias nem imunidade contra injúrias externas, tanto de agentes físicos quanto imunes e biológicos. O feto pode adoecer! Tanto que anda em voga a chamada medicina fetal. Especialidade que monitora, diagnostica e trata as anomalias do feto. Hoje, se faz até cirurgia fetal.

Com a maturidade plena do feto, vem o período expulsivo ou do trabalho de parto. Pode-se considerar o maior trauma da vida humana. Para tanto a natureza com seus indecifráveis mistérios criou um estado fisiológico chamado amnésia. Ninguém vai se lembrar desse primeiro grande trauma, desse “doloroso transe” que é o nascimento.

Para tanto sofrimento bastaria imaginar o trabalho de parto de um adulto. Fosse possível, em grandes dimensões, regredir um adulto ao ambiente uterino e ele lutar dez horas para voltar à luz. Quanto suplício e sequelas psíquicas. Que fique só na imaginação, de preferência com amnésia absoluta desse “sofrimento angustioso”.

Vieram os avanços tecnocientíficos, no mesmo passo as ciências médicas. Dentre essas o aprimoramento da analgesia e da anestesia. Hoje campeiam os partos cesarianos, porque se fazem com uso de analgesia e anestesia. Pena que abrevia-se o trabalho de parto sem dor para a mãe. Mas, para o nascituro (futuro recém-nascido) o mesmo trauma. O mesmo sofrimento, a perda da proteção da barriga da mamãe e do aconchego uterino. Parece um descaso e injustiça da natureza com o feto. Mas, é a lei, são os mistérios da vida.

Há diversos estudos na área de obstetrícia e neonatologia provando que o parto natural e espontâneo é muito saudável para a criança e mesmo para a mãe. Evitam-se com isto um trauma cirúrgico, o uso de vários fármacos na anestesia que têm os efeitos colaterais para a mãe e feto.

As evidências são de que o esforço e esse sofrimento impostos ao feto para nascer têm efeitos saudáveis nessa transição da vida uterina para o mundo externo. É a passagem da circulação fetal e dependência placentária para a respiração pulmonar e circulação no modo adulto. Todo esse trânsito dolorido e árduo do chamado trabalho de parto é nada mais do que o primeiro ensinamento da natureza de que a vida humana tem como finalidade última e máxima a felicidade. Mas, a vida e a felicidade não têm isenção absoluta de alguma forma e grau de sofrimento, de esforço, de trauma e de trabalho.

Trazendo esse objetivo e perene busca da felicidade a que todos se dedicam para o contexto de nossos dias, para as novas gerações, para a civilização moderna, munida de internet, redes sociais e tecnologias de informação, do mundo digitalizado.

O século XXI tem se caracterizado por intenso debate e avanços sociais no que se refere às liberdades individuais, garantias as mais amplas de direitos humanos e novas diretrizes na educação. Entre essas novas normas de liberdade e educação têm-se como exemplos a proibição de reprovação escolar e a lei da palmada.

Em outros termos, o aluno mesmo com nota abaixo de 5 (50%) tem que pular de Série. Não interessa se ele aprendeu o suficiente na Série anterior ou não. É proibido reprovar. Lei da palmada: os filhos além de ser criados sem limites ou castigos não podem receber o menor constrangimento físico, a exemplo de uma palmada ou chinelada.

Tomo de empréstimo as palavras da psicóloga Virgínia Suassuna: “Os chamados psicotapas”, tão úteis das avós das gerações digitais. Até esses estão proibidos pelos novos legisladores, pelas novas diretrizes dos modernos educadores. São novos tempos.

Os pais e famílias dessas novas gerações têm embarcado nessa nova pedagogia e nessas novas diretrizes educacionais. Tudo pode, “é proibido proibir”!

Os adolescentes e jovens dessa nossa intitulada sociedade moderna e digital estão sendo criados, formados e protegidos de qualquer esforço, de qualquer sacrifício ou trabalho. Nenhum filho pode cooperar ou se empenhar no seu próprio sustento. O roteiro dos chamados pais modernos tem sido este para os filhos: é proibido sofrer, se esforçar ou trabalhar. Zero dor, zero sofrimento, inclusive o esforço psíquico, a frustração, o insucesso na busca do prazer, da satisfação dos órgãos sensitivos.

Para isso, foram sintetizados os ansiolíticos, os antidepressivos, os psicotrópicos de toda ordem. Até os medicamentos que ajudam no rendimento intelectual, no raciocínio, no pensamento lógico. O ato de pensar, calcular, criar se tornou algo torturante. De preferência que todo conhecimento, todo saber já venham prontos e pensados por outros.

Talvez o resultado dessa nova ordem de vida sejam mais depressão, mais ansiedade, mais suicídios, incapacidade de lidar com as críticas (bullying), mais dependência de psicotrópicos, de psicoterapias e até drogas ilícitas.

Infelicidade na sua forma mais pura. É a vida sem esforço e sem os sofrimentos, os mínimos que sejam!

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA é especialista em Medicina Interna e Cardiologia, Assistente do Serviço de Cardiologia e Risco Cirúrgico no Hospital das Clinicas - Faculdade de Medicina / Universidade Federal de Goiás (UFG) - Goiânia-GO; membro Sociedade Brasileira de Cardiologia; e, estudante de Filosofia. Contatos: joaomedicina.ufg@gmail.com. Acesse: www.jjoaquim.blogspot.com.br

Histórico
  » 14-06-2018 10:06:59 - ‘Febeapá’ – Um festival de besteiras dos tempos digitais
  » 23-05-2018 16:05:40 - Livre-arbítrio traz embutido um escárnio ético
  » 15-05-2018 20:05:13 - As relações conjugais se fazem como a química de um bolo ou torta
  » 27-04-2018 21:04:50 - O que é a vida? – A vida é o presente, o futuro possivelmente
  » 14-04-2018 22:04:14 - Fraternidade e amor sem fronteiras
  » 31-03-2018 20:03:42 - TI e Psicopatias – TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DOENÇAS MENTAIS
  » 14-03-2018 17:03:48 - A religião também alivia e cura nossas dores
  » 06-02-2018 20:02:13 - Insalubridade básica – Nossa crônica Insalubridade Básica
  » 01-02-2018 14:02:58 - A felicidade impossível sem trabalho e sem esforço
  » 24-01-2018 22:01:51 - O bom ou mau exemplo – A pedagogia que vem do ladrão
veja o histórico completo
  Untitled Document
Enquete

Você conheceu pessoalmente alguém que tenha morrido devido ao frio ou ao calor?

   Sim
    Não

    Votar

    Parcial

Consulta entre 1º e 31 de julho/2018
Google
Google