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URUAU - HISTRIA
04-01-2006 23:01:12
7. O baile

noite, seguiu-se um animadssimo baile. O toldo ficou repleto de gente de todos os matizes: crianas, mes, moas, rapazes, adultos, casados, solteiros, velhos de bengala na mo, roceiros de cala de algodo, mulheres queijeiras com lao de fita no longo cabelo preto, emplastado de pomada de sebo de gado curtido ao sol; outras, com lindas travessinhas; algumas matronas de papo sacudiam-no ao conversar; os rapazes exibiam botinas chiadeiras, preferencialmente de cor amarela. Crianas brancas, pretas e morenas, quase todas de ps no cho. A rapaziada com destaque para Felicianinho, Moacyr, Zeco Martins, Djalma, Fonso, Eneinha, Rodolfo, Jaques, Nickerson, Tonico Mendes e numerosos outros da elite social - gritava, de vez em quando, vivas ao prefeito, vivas a Getlio Vargas. Zezim Ponce, Lcio e Gasparzinho, os dois ltimos filhos do prefeito empossado, eufricos perguntavam:
- Como , mestre Domingos, que da msica?
- j, ne... an. Eu estou esperando s Roque, n... an. T custando, n... ... - entremeando risos e clices de vinho...
Damas no faltavam. L estavam, desejosas que se comeasse a dana, as moas da casa, como Elvira, Regina, Olinda, e outras como Ana, Aide, Adelaide, Sanica, Col, Diva Ribeira, Diva Francisca, Olmpia, Calu, Isabel Amrico, Isabel Ribeira, Agripina, Isaura, Rita Godi, Domitila, urea de Godi, Diva de Aleluia, Flauzina, Maria Joana, Arminda, Dehira e numerosas outras donzelas, todas lindas, no verdor da juventude. As autoridades, os visitantes, os homens mais srios se aboletavam na sala da casa, envolvidos em animada conversa sobre a nova ordem poltica do Pas, a Revoluo de Getlio Vargas e de Pedro Ludovico e a severa represso aos comunistas, dito esquerdistas, chefiados por Carlos Prestes, e aos integralistas de direita, sob o comando de Plnio Salgado, a queda do regime democrtico representativo, at ento vigente, e a implantao de estado ditatorial.
O animado sanfonista Louro (Herculano Jos Flres) j executava animadamente o seu acordeon, acompanhado de zabumba, manejado por Z Calazans. Era um empolgante arrasta-p. Se no fosse o zabumba, os seguidos, ritmados e montonos trais-l... trais-l... trais-l...trais-l das botinas no permitiriam ouvir o emocionante som da sanfona. Zeco Martins, um dos mais entusiasmados danarinos, com os nimos exaltados com as doses da caipirinha, no se cansava de bradar.
- Vamos rapaziada!!!... Viva o sanfoneiro... o... o!!! Viva Sant?Ana!...
E a festa ia sob calorosa animao. Algum gritou:
- Vamos para uma quadrilha, gente?
Palmas foram batidas aplaudindo a idia.
Mestre Domingos ser o par marcante!
- Vamos, Professor!?
O Professor Domingos Vicente no se fez de rogado:
- bom, n... an; bom n... an..., confirmou com indizvel satisfao o professor.
Felicianinho (Feliciano Custdio de Freitas), um dos lderes dos rapazes daquela poca, sabedor de que o professor alimentava uma forte simpatia por sua futura cunhada Adelaide, convidou-a para danar a quadrilha e a ofereceu ao Mestre Domingos. Este, muito sorridente, quase a gargalhar de satisfao, abraou respeitosamente a meiga Adelaide e se colocou num dos extremos do salo e convidou todos os pares para se enfileirarem, em ala. Trinta pares se puseram em ordem. Quinze de cada lado. Tudo preparado para o incio da dana, Mestre Domingos bate, por trs vezes, uma mo na outra, dando sinal ao sanfoneiro. S Louro inicia animadamente a executar empolgante marcha, sempre acompanhado pelo zabumba: tr-tr-pum... tr... tr... pum... pumpum... de Z Calazans. Mestre Domingos lanou um olhar examinador sobre os 29 pares danarinos e ordenou, num francesinho deturpado:
- ?
Balanc... general...

-
Tour!
Os pares, sempre em marcha, a passos curtos, imitam as evolues do par marcante.
Mestre Domingos continua:
-
S
cne de Dame!...
As mulheres se desprendem do brao do cavaleiro e se aproximam uma das outras, em duas filas, e se cumprimentam com inclinao da cabea.
-
Chevaliers ensuite
!...
Os homens, deixando os respectivos pares, repetem os mesmos gestos das mulheres, sempre em ritmo de marcha.
-
Main-Gauche
!!
-
Main-droite
!!
-
Echange
r!
E segue a marcao por a afora. Alguns entendendo o estrangeirismo da lngua; outros executando os movimentos por imitao ao par marcante. Professor Domingos dominava o francs, e esses termos de comando da tradicional quadrilha, ento, sabia-os de cor e salteado!!
De vez em quando, batia palmas por trs vezes e a msica parava para breve descanso. Dois minutos apenas. Novas palmas eram batidas, e a msica se iniciava sempre em ritmo de marcha. As duas filas de pares se punham em alerta:
- Balancer genera
l
!! - comandava o mestre.
Depois de cinco intervalos de danas e contradanas anunciava o par marcante:
-
Promenade final
!!
Comeando por ele, na extremidade do salo, cada cavalheiro, assim que chegasse ali se despedia da respectiva dama, inclinando-se com um doce
merci beacoup
!!
Essa era ltima cena da quadrilha e era feita sob fortes palmas dos assistentes. Quando o ltimo cavalheiro se despedia de sua dama, parava-se a msica.
Depois de breve intervalo o Sr. Roque enchia o salo com o som forte de seu clarinete, no que era acompanhado por dois violes, divinamente executados por Odilon e Newton.
Domingos Vicente, clarinetista famoso, exibia uma animada polca. A rapaziada danava maneira que podia. Zeco Martins, Eneinhas e Z Chrisstomo no se esqueciam dos ?vivas?.
Viva o sanfoneiro! Viva o prefeito! Viva o dono da casa!!
Todos respondiam, com muito entusiasmo e longamente:
Vi... va... a... a...!!!
Altas horas da madrugada, tio Chico, o prefeito, se lembrou de Antnio Fernandes, a quem certa vez, em So Jos, presenciou danando magistralmente a pea
Passarinho
. Bateu palmas (era costume em uma festa chamar-se a ateno, pedir silncio, batendo palmas). O vozerio parou e todos se voltaram para ele:
Tone, mostre aos presentes a dana do ?passarinho?!
A dana era executada por um cavalheiro e duas damas. Uma de um lado e a outra do outro, com os braos entrelaados com o cavaleiro e movimentos rapidssimos, parecendo um pssaro, com asas abertas, querendo pousar, aps diversas voltas. O pssaro seria o cavaleiro, as duas damas, as respecivas asas. O cavalheiro com as damas laterais, braos entrelaados, com rapidez, dava uma volta e, ao fechar a curva, soltava as damas. Elas giravam em rodopio, com as mos dadas acima da cabea, retornavam, trocavam as mos e novo giro, sempre em marcha rpida. Voltavam em direo do cavalheiro e este, da mesma forma, girava, como que passeando ao redor. Mais uma vez, as damas repetiam a evoluo. O povo batia palmas, quase que continuamente, em ritmo da dana. ?Muito bem?, gritavam alguns.
O tio Tone, sua filha Flauzina e sua sobrinha Maria Joana empolgaram a platia durante uns cinco minutos de extraordinria movimentao, sempre ritmada, ao som da msica marcial, executada pelo Sr. Roque, em sua Clarineta.
s dez horas da noite e s duas horas da manh, grandes bandejas de caf, leite e ch, acompanhadas de outras tantas repletas de po-de-l, biscoitos doces, po de queijo, bolo de arroz, foram girando, servindo a todos com farto caf. Os mais gananciosos acompanhavam os serventes at o cmodo onde era feita a distribuio das bandejas e ali se empanturravam, sob o olhar, um tanto censurvel, da dona da casa.
O barulhento e alegre baile se prolongou at o apontar das barras matinais, do dia 4 de setembro de 1931. Era o albor de um novo dia!!
Sant?Ana era, agora, municpio, igualzinho a So Jos. Grande sonho do Coronel Gaspar! A festa da posse foi alvo de comentrios elogiosos por bastante tempo
(texto transcrito fielmente do livro
A famlia Fernandes e a fundao de Uruau: Reminiscncias, pginas 164 a 166. Cristovam Francisco de vila. Editora Bandeirante Ltda. Goinia. 2005).

Histórico
  » 04-01-2006 23:01:24 - 1. A criao do Municpio de Uruau
  » 04-01-2006 23:01:08 - 2. Fundao de Uruau. Gaspar Fernandes: Uma Vida de Lutas
  » 04-01-2006 23:01:29 - 3. Jos Fernandes de Carvalho e a criao do municpio de Uruau
  » 04-01-2006 23:01:56 - 4. O telegrama
  » 04-01-2006 23:01:56 - 5. A criao do municpio
  » 04-01-2006 23:01:46 - 6. A instalao do municpio
  » 04-01-2006 23:01:12 - 7. O baile
  » 04-01-2006 23:01:22 - 8. Os primeiros servidores do Poder Judicirio
  » 04-01-2006 23:01:15 - 9. Os primeiros atos do prefeito
  » 04-01-2006 22:01:25 - Governantes do Municpio de Uruau
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