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URUAU - HISTRIA
04-01-2006 23:01:08
2. Fundao de Uruau. Gaspar Fernandes: Uma Vida de Lutas

A histria da povoao de Uruau comeou com a descoberta das grandes jazidas de ouro do Tocantins. To grandes e ricas eram as jazidas, que, ao criar-se o imposto de captao, foi determinada uma taxa mais alta por escravo. Constituindo-se, segundo Palacin, a regio de maior densidade mineira, com das descobertas das minas de Traras, gua Quente, So Jos do Tocantins e Cocal, nos anos de 1732-1736.
Todas os anos, durante a temporada das secas, que em Gois de abril a outubro, saam os bandeirantes dos arraiais mais populosos em busca de ouro, avanando serto adentro.
J nos fins da dcada de 1730, as descobertas foram rareando.
Dizem os mais antigos que Amaro Leite Moreira, possuidor de grande quantidade de escravos, no sendo feliz na garimpagem de Cocal, resolveu saltar o rio Maranho no Porto das Lavras, a fim de explorar o Ribeiro Passa Trs, Groto e Barreiro Rico. Subiu pelo Passa Trs at suas cabeceiras, na Serra do Pilar.
Um dos seus companheiros, de nome Antnio Machambombo, ficou acampado, explorando os afluentes do rio Passa Trs. Ali foi atacado pelos ferozes canoeiros. No se sabe, at hoje, de quantas pessoas morreram. Mas o rio onde ele estava acampado ficou batizado com seu nome.
Essa histria que corre na boca dos mais antigos moradores da regio, quem me contou foi o velho Benedito Coelho Furtado, velho sertanejo, proprietrio da fazenda Quebra Frasco.
Conta-se tambm que o nome Machambombo provm de uma homenagem que o primeiro fazendeiro que comprou as terras quis prestar a seu antigo feudo, l para as bandas de Minas Gerais. Assim que ele registrou as terras em seu nome, batizou o crrego com o nome de Machambombo.
Mas a cidade de Uruau foi fundada por Gaspar Fernandes de Carvalho, nascido no municpio de So Jos do Tocantins, no dia 17 de maro de 1851, filho dos abastados fazendeiros Francisco Fernandes de Carvalho e Ana Francisca da Silva, possuidores de grande nmero de escravos.
Dada a precariedade do ensino no serto goiano, o menino Gaspar matriculou-se na escola do professor Jos Bonifcio Sardinha, em 1859, completando o curso primrio. Deixando os bancos colegiais, continuou a ler bons livros da literatura portuguesa, aperfeioando mais o seu cabedal intelectual. Em 1871, assumiu a direo da fazenda de seu pai. Dotado de grande energia e capacidade de ao, remodelou a fazenda, multiplicou o rebanho, a produo de acar e outros cereais. No mesmo ano casou-se com dona Cndida Martins Pereira.
Recebeu, como dote, a fazenda Vo do Caetano, onde passou a residir em 1886, quando se tornou coronel da Guarda Nacional. Remodelou a fazenda, construindo, com a ajuda do brao escravo, uma grande usina de acar e produo de aguardente, criando gado cavalos e burros. Tornou-se abastado comerciante de tecidos, armarinhos e estivas.
Gaspar Fernandes, atravs de jornais que assinava, acompanhou o movimento abolicionista. Ao ver a notcia da Lei de 13 de maio, chamou os seus escravos e declarou-lhes que estavam livres, mas que poderiam ficar morando na fazenda, mediante um contrato de ajustamento, resultando deste contrato a garantia de trabalho para todos.
Longe das lides partidrias, vivendo exclusivamente das suas atividades ligadas agricultura, pecuria e sua casa comercial, sentiu-se injustiado na cobrana de impostos e tributos, dirigiu uma carta a Jos Xavier de Almeida, candidato presidncia do Estado. Este fez ver o erro de estar ele, o coronel Gaspar, arredio da poltica e da administrao da Justia, e convidou-o a participar nas hostes dos Bulhes. Eleito presidente do Estado, Xavier de Almeida entregou-lhe a administrao da Justia, nomeando-o Juiz Municipal do Termo de So Jos do Tocantins e colocando sua disposio os demais cargos do municpio.
Deixou, ento, a administrao da fazenda Vo do Caetano sob a administrao de seus filhos, indo residir na sede do municpio, para onde levou o seu estoque de tecidos e ferragens.
Em 1909, cai a oligarquia dos Bulhes. O velho coronel, conhecedor da crtica situao que atravessava o Estado, com repercusso em So Jos do Tocantins, resolveu opor resistncia, at que pudesse transferir seus haveres e famlia para o municpio de Pilar.
Esquivando-se de enfrentar uma luta fratricida contra os seus ferrenhos inimigos, no dia 9 de junho de 1909, com uma comitiva composta de grande nmero de pessoas, o velho patriarca deixou o seu municpio de origem, em busca de justia e tranqilidade.
Os pilarenses receberam-no de braos abertos e ofereceram-lhe a chefia da nova situao; mas o velho, j meio descrente, no aceitou a oferta. Preferindo voltar novamente vida privada. Resolveu comprar uma fazenda que comportasse toda sua famlia, parentes e aderentes. Adquiriu um grande latifndio: as fazendas Passa Trs e Curralinho - oito mil alqueires -, situadas entre os rios Passa Trs e Maranho, at o pico da Serra Dourada, cuja escritura foi lavrada com a data de 21 de abril de 1910.
Escolheu o local mais apropriado dentro da rea, s margens ao Ribeiro Machambombo, ali edificando sua casa. Justamente no local obrigatrio da travessia das tropas e boiadas, local apropriado para compra e venda de gado, s margens do Ribeiro de guas Claras, quase no pontal do Machambombo com o Passa Trs. O aspecto majestoso do ribeiro, a rea de floresta o rio Passa Trs, a pureza das guas, a amenidade do clima, um trato hospitaleiro do velho coronel e filhos foram as condies que propiciaram a fundao da cidade de Uruau.
Aproveitando-se do esprito religioso dos habitantes do serto goiano, o velho coronel houve por bem construir uma igreja dedicada a Nossa Senhora Santana, doando, com seus filhos, uma gleba de terra de um quilmetro em volta da igreja. Isto era suficiente para satisfazer as necessidades religiosas do sertanejo goiano.
Terminada a construo, contratou o padre Alexandre, da Ordem Secular, a fim de dar assistncia a seus netos.
No ano seguinte, mandou buscar o seu irmo Joo Fernandes com a famlia, pai de Lastnia Fernandes de Carvalho, que abriu a primeira escola particular - que dirigiu at o ano de 1918 -, quando voltou, novamente, para So Jos do Tocantins, devido incompatibilidade do esposo Olvio Francisco de Carvalho com o velho coronel.
Um ano depois, a escola foi reaberta por Manoel Fernandes Carvalho que a fez funcionar at 1920, ano em que se elegeu Conselheiro Municipal da cidade de Pilar. Como conselheiro elaborou um projeto de lei criando o distrito de Santana, transformado em lei no dia 4 de Janeiro de 1924. O coronel Gaspar foi nomeado juiz distrital. Ele mesmo instalou o novo distrito a 28 de junho do mesmo ano, com uma festa fenomenal. Mandou buscar a banda de msica de So Jos do Tocantins e msicos da cidade do Peixe para a missa cantada e entronizao de vrias imagens de santos na capela local. Nestas alturas, o povoado estava bastante crescido, sendo elevado o nmero de crianas em idade escolar matriculadas na escola particular. Ento, o coronel Gaspar solicitou ao governador a criao de uma escolar pblica, remetendo os mapas Diretoria do Interior e Justia, no que foi atendido.
Em 1926, fez uma representao ao administrador dos Correios, pedindo a criao de uma agncia postal para o novo distrito. Depois de alguns embaraos criados por alguns inimigos polticos que exerciam cargos de chefia nos Correios, a agncia foi criada, sendo nomeado o senhor Manoel Fernandes para o cargo de Agente Postal, Antnio Adriano e Jlio Antunes foram os primeiros estafetas entre Pilar e Uruau.
O coronel construiu, por sua prpria conta, o cemitrio local, a cadeia pblica e um prdio para o grupo escolar.
Nos anos de 1930, a Repblica dos Coronis debatia-se agonizante. O velho coronel no hesitou: fundou, no seu feudo, a Aliana Liberal, organizando um considervel corpo eleitoral.
Quando triunfou a Revoluo, Uruau foi elevada a municpio pelo Decreto n 1.204, de 4 de Julho de 1931, anexando os distritos de Descoberto, hoje Porangatu, e Amaro Leite, hoje Mara Rosa. O velho Gaspar, adiantado em idade, foi nomeado Juiz Municipal. Os demais cargos foram providos por seus parentes.
A instalao do municpio foi no dia 7 de setembro de 1931. Deu-se incio as solenidades com uma missa campal realizadas s 8:00 horas da manh. s 11:00 horas, reuniram-se no Pao Municipal todas as autoridades nomeadas, apresentando, no ato da instalao, o interventor do Estado, Dr. Pedro Ludovico Teixeira, o Dr. Augusto Ferreira Rios, juiz de direito da comarca de Jaragu; pela prefeitura de Itabera, Dr. Eduardo de Freitas; pela prefeitura de Jaragu, Sebastio Gonalves de Almeida; representando a Igreja Catlica, Dr. Florentino Simo, pela Prefeitura de Niquelndia, o padre Tefilo Guinda
(texto transcrito fielmente do livro Vivncias no agreste, pginas 21 a 24/captulo V. Jos Fernandes Sobrinho. Editora Bandeirante Ltda. Goinia. 1997).

Histórico
  » 04-01-2006 23:01:24 - 1. A criao do Municpio de Uruau
  » 04-01-2006 23:01:08 - 2. Fundao de Uruau. Gaspar Fernandes: Uma Vida de Lutas
  » 04-01-2006 23:01:29 - 3. Jos Fernandes de Carvalho e a criao do municpio de Uruau
  » 04-01-2006 23:01:56 - 4. O telegrama
  » 04-01-2006 23:01:56 - 5. A criao do municpio
  » 04-01-2006 23:01:46 - 6. A instalao do municpio
  » 04-01-2006 23:01:12 - 7. O baile
  » 04-01-2006 23:01:22 - 8. Os primeiros servidores do Poder Judicirio
  » 04-01-2006 23:01:15 - 9. Os primeiros atos do prefeito
  » 04-01-2006 22:01:25 - Governantes do Municpio de Uruau
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